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1.
Albergue é só para jovens?
Já foi assim um dia (vem daí, afinal, o nome Albergues da Juventude),
mas desde 1990 também os mais maduros são bem-vindos nos albergues. Há
uma exceção: a região da Bavária, no sul da Alemanha, onde só são
recebidos alberguistas com até 26 anos. Isso porque, na opinião das
autoridades regionais que controlam esse tipo de hospedagem no país, quem
está acima desta faixa etária pode bancar a própria estada. Esse raciocínio
tem uma variante em países como a Polônia, a Espanha, o Marrocos, a Tunísia
e a própria Alemanha, onde os mais jovens têm prioridade na ocupação
ou ganham desconto nas diárias. Uma coisa é certa: mesmo sem o limite de
idade, a maioria dos alberguistas tem entre 20 e 35 anos.
2. É
preciso ser sócio para se hospedar?
Todos os albergues dão prioridade aos associados, é verdade. Mas muitos
aceitam hóspedes sem a carteirinha dos Albergues da Juventude - quando há
vagas, evidentemente. A diferença é que os sócios pagam uma diária 50%
menor do que os não sócios. E ainda têm algumas regalias como
transporte e câmbio sem cobrança de comissão. A carteirinha pode ser
solicitada pelo site www.hostel.org.br ou feita nas sedes estaduais e nos
escritórios de representação da Associação dos Albergues da Juventude
espalhados pelo Brasil (é preciso levar uma cópia do R.G. e pagar a
anuidade de R$ 27). No exterior, pode-se recorrer ao Guest Card, emitido
por alguns albergues a um preço um pouco abaixo do cobrado pela anuidade.
O cartão só é válido para estrangeiros e aceito apenas nos albergues
do país em que foi tirado.
3.
Existem outras instalações além do quarto e do banheiro?
Foi-se o tempo em que os albergues eram encarados como lugares para dormir
e tomar um banho quente (às vezes nem isso). Hoje em dia, essas acomodações
econômicas estão muito próximas ao conceito de hotéis - e algumas
chegam a ter serviços especiais. Bares e discotecas? No Le d'Artagnan, em
Paris, ou no Lua Cheia, em Natal. Cafés? No Vondelpark, em Amsterdã.
Piscina aquecida? No Kiwi Paka, em Rotorua, Nova Zelândia. Os incrementos
não param por aí. O South Bay, em Los Angeles, tem quadra de vôlei; o
Sydney Central, em Sydney, é dono de uma bela sauna; o City of London, em
Londres, oferece até sala de conferências; e o Recanto dos Carvalhos, em
São Lourenço, possui alguns cavalos. E tem mais: para garantir a
qualidade desses lugares há fiscalização. Para um albergue ser
credenciado, por exemplo, passa por uma sabatina. No Brasil, é preciso
ter colchões de 80 cm x 1,90 m, travesseiros e cobertores anti-alérgicos,
altura mínima de 90 cm entre os beliches e dormitórios para no máximo
oito pessoas.
4. Quem
vai levar minhas malas pra cima?
Ninguém vai levar suas malas para o quarto ou esticar os seus lençóis,
é verdade, mas já existem serviços dignos dos melhores concièrges da
praça. Anote: aluguel de bicicletas, ingressos para shows (com
desconto!), passagens de trem ou passeios de buggy pelas praias. E quando
o próprio albergue não oferece, indica onde encontrar. No exterior,
grande parte dos albergues tem lavanderias self-service, com máquinas de
lavar e secar que funcionam com moedas. A do Le d'Artagnan, em Paris, por
exemplo, funciona a noite toda e é um ponto de encontro quase tão
concorrido quanto o bar. Outras facilidades oferecidas por vários
albergues são câmbio, estacionamento, biblioteca e loja para compra de
artigos de primeira necessidade. Além da limpeza, é claro.
5. As diárias
incluem o café da manhã?
Surpresa: no Brasil e na Europa, a maioria dos estabelecimentos inclui,
sim, o café da manhã nas diárias. No albergue Fazenda de Tororomba, em
Ilhéus, o desjejum tem mais de 15 itens, entre pão de milho, banana da
terra, suco de cacau, frios e queijos. E o melhor: está à disposição
dos hóspedes até às 16 horas. O café da manhã do Vondelpark, em
Amsterdã, de tão gostoso, já é famoso entre os freqüentadores. Já as
outras refeições costumam ser cobradas à parte. Geralmente são
servidas no esquema bandejão ou estão disponíveis em máquinas de sanduíches
e saladas prontas. Muitos albergues têm cozinhas abertas aos turistas,
equipadas com geladeiras e armários para guardar mantimentos, etiquetados
com o nome do dono, número do quarto e período de permanência. Se dá
certo? Há controvérsias. Mas a cozinha costuma ser um ótimo lugar para
compartilhar receitas de diferentes países...
6. Vou
dividir o quarto com estranhos?
Seus vizinhos de cama serão mesmo estranhos. Às vezes, muito estranhos.
Se alguém falar dormindo? Seja discreto. Se alguém roncar? Seja surdo. E
mantenha o espírito esportivo pois, em um albergue, ninguém está livre
de dividir o quarto com pessoas desagradáveis - afinal a distribuição
é aleatória. Tudo é, portanto, uma questão de sorte. Ou de ponto de
vista. Quem quer conhecer pessoas vai achar lindo repartir o sono com
outros cinqüenta marmanjos (caso da na unidade de Jasper, no Canadá).
Quem quer sossego preferirá as acomodações vazias dos meses de baixa
temporada (o advogado Gustavo Araújo, por exemplo, chegou a ficar com o
albergue só para ele em Kyoto, no Japão). De qualquer maneira lembre-se
de que uma das propostas dos albergues é integrar as pessoas - que são
colocadas em dormitórios coletivos justamente para se conhecerem.
Inclusive intimamente. Renato Pires de Lucca, dono do Lua Cheia, em Natal,
conta que pelo menos oito casamentos tiveram origem em seu albergue.
7. Posso
ser roubado enquanto durmo?
A Associação dos Albergues garante que os casos de furtos estão cada
vez mais raros. Muitas medidas vêm sendo tomadas: dos armários com
cadeado aos cofres onde podem ser guardados passaporte, documentos e
dinheiro. Mesmo assim, muita gente tem truques pessoais. O psicólogo
Fernando Ferreira, ao ver que dividiria o quarto com onze pessoas em
Manhattan, foi radical. "Dormi com o dinheiro escondido... na
cueca". Uma coisa é certa: se algo for roubado, a gerência deve ser
avisada, para tomar as providências.
8. Os
albergues são da mesma associação?
A Hostelling International, que reúne os Albergues da Juventude, é a
maior rede de hospedagem do mundo, com aproximadamente 342 mil leitos em
mais de 70 países dos cinco continentes e cerca de 3,7 milhões de
associados. Mas não é a única. Alguns dos concorrentes que funcionam
basicamente no mesmo esquema são as redes Backpackers, Banana Bungalow e
YMCA. Os Bed & Breakfast não são albergues, mas em muitos países têm
tarifas tão razoáveis quanto eles.
9. Há
quartos para casais ou para famílias?
Os albergues mais novos já têm quartos específicos para casais ou famílias,
com banheiro particular e tudo. Mas justamente por serem em número
reduzido, nem sempre estão disponíveis. Muitas vezes, nem podem ser
reservados com antecedência, só pessoalmente. E a diária custa cerca de
50% a mais. Quando não encontram vaga, alguns casais optam por ficar em
dormitórios mistos, comuns em alguns países da Europa. Se para os
brasileiros pode parecer estranho dividir o quarto com desconhecidos do
sexo oposto, esse arranjo é encarado com naturalidade por muitos
estrangeiros. Numa viagem para Varsóvia, na Polônia, o advogado Gustavo
Araújo ficou no mesmo dormitório com uma inglesa, uma australiana e uma
alemã. "Enquanto elas trocavam de roupa sem constrangimento na
frente de todos, eu fazia malabarismos com a toalha", diverte-se.
10.
Todos os albergues são iguais?
Uns são mais iguais que os outros. Entre os 4.275 albergues do mundo, 53
deles no Brasil, há desde casas simples transformadas em alojamentos até
castelos medievais ou modernos edifícios abertos aos hóspedes. Os que
mais se destacam são: o Villa Camerata, em um prédio histórico decorado
com esculturas e afrescos em Florença; o Mare de Déu de Montserrat, em
um mosteiro de Barcelona; o de New Orleans, em uma casa vitoriana; o das
casas históricas do Pelourinho, em Salvador; o Chapman, em um barco
atracado em Estocolmo; e o de Carcassonne, na França, cercado pelas
muralhas da Cidade Medieval. Outros foram construídos em áreas ecológicas,
como o Mount Cook, que fica em um parque nacional na Nova Zelândia. Os
mais ecoturísticos do Brasil são a Fazenda Tororomba, em Ilhéus; o
Caminho do Pico, em Visconde de Mauá, e o Recanto dos Carvalhos, em São
Lourenço.
11.
Preciso levar os lençóis?
Quem não quiser fazer turismo com fronhas e lençóis a tiracolo pode
alugá-los nos albergues, que costumam cobrar uma taxa de US$ 5, no
exterior, e cerca de R$ 3, no Brasil. Em muitos casos, a roupa de cama está
incluída na diária. As toalhas nem sempre estão disponíveis, mas os
travesseiros nunca faltam. Em uma viagem de 20 dias por albergues de
quatro países da Europa, a administradora Érica Fabretti teve uma boa
surpresa: "Em nenhum lugar dormi duas noites seguidas com o mesmo lençol."
12. Os
banheiros são mistos?
Banheiros são um assunto folclórico nos albergues. Um amigo lembrou de
uma cabine (leia-se vaso sanitário) que ficava em um pequeno box,
ligeiramente transparente, no meio do quarto. Ele sofria para fazer as
necessidades assim tão à vista. Já a psicóloga Iolanda de Oliveira
passou por maus bocados no albergue de Budapeste, na Hungria. Só tomava
banho quando uma amiga vigiava a entrada. "Os banheiros eram mistos e
nenhum box tinha cortina ou porta", conta. Não se apavore: a maioria
dos albergues tem banheiros divididos por sexo, que lembram os vestiários
de academias.
13. Quem
me dá informações?
Todo albergue tem pelo menos um mural com informações sobre as
principais atrações da cidade ou mapas. Os funcionários da recepção
estão habilitados a dar dicas sobre passeios bacanas, que muitas vezes
podem ser contratados no próprio albergue. O professor universitário
Marcelo Sotratti participou de várias atividades organizadas pelos
albergues em que ficou, tudo de graça e sempre acompanhado por guias ou
monitores. "Em Paris, fiz um roteiro impressionista; em New Orleans,
um "macabro" por cemitérios e lugares mal-assombrados; em Los
Angeles, participei de jogos de vôlei na praia, à noite". Tudo
organizado pelos albergues.
14.
Quanto tempo posso ficar hospedado?
No exterior, o limite oficial de permanência é de 6 noites ou 7 dias,
enquanto, no Brasil, varia de 7 a 15 dias, dependendo da época. Nenhum
aceita reservas para um período superior. Muitos estabelecimentos, porém,
acabam permitindo que o prazo seja prorrogado (em alguns casos para até
um mês), se tiverem vagas disponíveis. Há truques para driblar a regra.
A carioca Nazarina Santos ensina o macete que usou no albergue de Nova
York, um dos mais concorridos do mundo. "Depois de passar 12 dias
ali, me mudei para o alojamento da Associação Cristã de Moços. Depois
de quatro dias, voltei para uma nova temporada no albergue de Nova
York". Ir e voltar vale.
15.
Albergues são mais baratos que hotéis?
Nem sempre. Como as diárias dos albergues são fixadas de acordo com a
categoria do estabelecimento e a época do ano, em alguns casos, superam o
valor cobrado em certos hotéis. Na ponta do lápis, um casal que divide
um apartamento em um hotel simples pagará menos, individualmente, do que
se ficar em determinados albergues, compartilhando o quarto com outros
turistas. No City of London, por exemplo, o preço da diária chega a US$
39, enquanto no Skycourt Narita, no Japão, bate nos US$ 45. No Brasil,
onde as diárias mais altas alcançam os R$ 22, os maiores concorrentes
desse tipo de hospedagem são as pousadas ou até os pacotes de grandes
operadoras, que oferecem preços imbatíveis. Em contrapartida, as diárias
mais baratas custam R$ 10, no Brasil, e US$ 3, no exterior.
16. Qual
o maior do mundo?
O albergue localizado a duas quadras do Central Park pode abrigar,
simultaneamente, um batalhão de 624 turistas. Outros albergues com grande
número de leitos são o Sydney Central (532 leitos), o Amager, de
Copenhague (528), o de Frankfurt (470), o Vondelpark, em Amsterdã (476) e
o Le d'Artagnan, em Paris (439). No Brasil, os maiores são o São
Domingos, em Torres (180), Maracaia, em Porto Seguro (180), Canasvieiras,
em Florianópolis (132) e Tororomba, em Ilhéus (120).
17.
Preciso fazer reservas para garantir uma vaga?
Quem aparecer sem reserva em um albergue corre o risco de ter de procurar
outro lugar para passar a noite. Isso não quer dizer que é impossível
ser acomodado sem reserva - tudo vai depender da disponibilidade de vagas.
Assim vale a lei da oferta e procura: albergues mais disputados devem ser
reservados com antecedência. Há quem prefira visitar pessoalmente os
albergues antes de se instalar, outros gostam de viajar com tudo
organizado. Isso pode ser providenciado pelas associações locais ou
diretamente pelo interessado, por telefone, correio, fax ou e-mail. Um
sistema informatizado disponível nas associações faz reservas para
alguns albergues com até seis meses de antecedência. Nesses casos, é
cobrada uma taxa operacional de US$ 10.
18.
Posso circular de toalha pelos corredores?
Algumas regras de conduta devem ser respeitadas para permitir a convivência
de pessoas de países, raças e costumes diferentes. Fumar, beber ou fazer
as refeições nos dormitórios, por exemplo, é proibido na maioria dos
albergues. Também é imposta a lei do silêncio após as 22 horas. As
luzes dos quartos não devem ser acesas à noite, para não acordar quem
estiver dormindo. Apossar-se da cama do vizinho ou improvisar um varal no
quarto são atitudes que não pegam bem. Apesar de a limpeza ser feita
todos os dias é de bom tom esticar os lençóis e evitar deixar as
mochilas e roupas espalhadas pelo dormitório. E, na cozinha, sempre lavar
o que usou. De resto, vale o bom senso. Alberguistas desinibidos
desfilando quase - ou inteiramente - nus rendem boas histórias em
estabelecimentos do mundo todo.
19. Dá
para ficar no quarto durante o dia?
Como a limpeza é feita durante o dia, vários albergues, principalmente
os do exterior, pedem que os hóspedes saiam dos quartos - às vezes até
do estabelecimento - para que o trabalho possa ser feito sem ninguém
circulando. O problema é que alguns mantém a exigência para um período
que pode ir das 10 às 17 horas. Outros fecham para o almoço - dos
funcionários, bem entendido. Mas a maior reclamação é quanto ao toque
de recolher adotado em muitos países. O Mare de Déu, de Montserrat, em
Barcelona, fecha as portas à meia-noite, mas abre para os hóspedes ao
longo da madrugada em horários específicos, o que já é um avanço em
relação a outros albergues europeus, que fecham e pronto. O paulista
Marcelo Ramos, que em 1999 fez uma expedição de 270 dias pelas Américas,
por pouco não dormiu ao relento no Alasca. Depois de bater na porta
insistentemente às duas da manhã, foi salvo por um colega que dormia no
primeiro andar do albergue. "Mas tive de entrar pela janela",
lembra.
20. Qual
o albergue mais concorrido?
O Le d'Artagnan, em Paris. Seus 439 leitos permanecem ocupados o ano todo.
O motivo? Além de estar em uma das cidades mais procuradas, o albergue
francês tem uma série de facilidades, como bar, lavanderia, biblioteca,
sala de conferência, acesso à Internet, sala de TV - e fica ao lado do
metrô. Tudo isso por US$ 20, ao dia, com café da manhã e roupa de cama.
No exterior, outros favoritos são os de Nova York, Amsterdã, Londres,
Veneza, Barcelona e Roma. No Brasil, os mais disputados são o Lua Cheia,
em Natal, o Chave, no Rio de Janeiro, o Maracaia, em Porto Seguro e o da
Praia do Forte, na Bahia.
21. Há
unidades só para mulheres?
A maioria dos albergues atende a homens e mulheres. Mas em alguns países
de cultura islâmica, como a Arábia Saudita ou Catar, hóspedes do sexo
oposto não podem permanecer sob o mesmo teto. Ali, o regulamento fica bem
mais rigoroso: há albergues exclusivamente para homens e para mulheres. E
nada de pular a janela à noite.
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