Não
cometa o erro capital de passar apenas dois dias em Lisboa no meio
de uma longa excursão à Europa. Você não vai ter tempo de sentir
a cidade e provavelmente não chegará a ter uma boa impressão.
Há
três bairros da cidade que você deve percorrer a pé: Alfama, antigo
bairro dos marinheiros; Baixa, que é o centro antigo da cidade, e
Chiado, que também guarda belos vestígios do passado.
No
Alfama, comece por cima, porque para baixo todo santo ajuda. Visite as
ruínas do Castelo de São Jorge e vá descendo as vielas sinuosas até
o Largo das Portas do Sol, de onde se vê o bairro e o rio Tejo.
Continue
até a parte baixa da cidade, observando o cotidiano das famílias
portuguesas, e dê uma passada na Igreja da Sé antes de chegar à
Cidade Baixa.
Nessa
parte da cidade, comece vendo as arcadas da Praça do Comércio e a
estátua eqüestre do rei D. João I. Em seguida percorra o calçadão
da rua Augusta que é onde ficam as lojas tradicionais da cidade.
No
fim da rua Augusta fica a praça do Rossio, coração da cidade há
seis séculos. Fuja do assédio dos ambulantes que tentam vender relógios
e outros produtos falsificados.
Bem
perto fica a rua de Santa Justa, onde há um curioso elevador construído
por um aprendiz de Gustave Eiffel. Suba até o bar na cobertura para
ter outra visão de Lisboa.
No
Chiado, não deixe de comer uma tosta-quente (mixto quente) no
tradicional bar A Brasileira, que fica na rua Garret. Fernando Pessoa
freqüentava esse bar e, por isso, há uma estátua do poeta sentado
numa das mesas ao ar livre em frente ao café.
Come-se
estupendamente bem em qualquer restaurante de Lisboa (menos nos
pequenos e familiares). Mas se você quer provar um dos bacalhaus mais
famosos da cidade, jante no Restaurante Tavares, que fica na rua da
Misericórdia, 37, no Chiado.
Para
ouvir o melhor fado vá à pequena Parreirinha do Alfama (Beco do Espírito
Santo, 1). Nessa casa se ouve o fado mais autêntico, com cantores da
velha guarda.
Dê
uma volta nos famosos bondes lisboetas (aqui chamados “eléctricos”).
É uma das boas maneiras de observar o dia-a-dia dos descendentes de
nossos colonizadores.
Vá
ao bairro de Belém, às margens do rio Tejo. Há muitas atrações
por lá. A mais famosa é a Torre de Belém, construída por Dom
Manuel, no auge da era das grandes navegações (inclusive a que
descobriu o Brasil).
O
melhor do bairro, porém, é o belíssimo Mosteiro dos Jerónimos.
Visite o velho claustro e segure o queixo para que ele não caia ante
a imensa abóbada da Igreja de Santa Maria.
A
dois passos dali, na rua de Belém, 86, vale a pena enfrentar a fila
para provar os autênticos pastéis de Belém. O famoso doce custa
apenas 110 escudos (algo como um real).
Na
mesma área fica o Centro Cultural de Belém, uma construção moderna
onde rolam os principais eventos culturais da cidade. Confira a
programação, porque vale a pena.
Você
não deixará de notar o enorme Padrão dos Descobrimentos, um
monumento de 52 metros de altura que homenageia os grandes navegadores
de Portugal. Há um elevador que conduz ao topo do monumento, de onde
se obtém um belo panorama da região.
Reserve
um dia para visitar o local onde funcionou a Expo 98. Há muitos
restaurantes e várias atrações permanentes. A principal delas é o
Pavilhão dos Oceanos, o maior oceanário da Europa.
O
lugar preferido pelos jovens nas noites lisboetas é um complexo de
armazéns reformados chamado Docas de Santo Amaro. Hoje, em cada um
deles funciona um bar ou uma discoteca, todos muito descolados.
Já
a agitação noturna menos comportada fica na rua do Norte e na rua
das Gáveas na cidade alta. O lugar é muito freqüentado por boêmios.
Experimente a cervejaria Trindade, muito badalada.
Por
último, lembre-se: não use bermuda ou camiseta regata se você
estiver planejando visitar igrejas ou mosteiros. Você será barrado
na entrada