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1-
É realmente imprescindível fazer um seguro saúde antes de cair na
estrada?
É sempre prudente, especialmente se a viagem for para o exterior. Um
tratamento de canal em um dentista de Nova York ou uma perna quebrada em
Paris podem custar mais caro do que suas passagens aéreas. Há diversas
alternativas no mercado. A maioria dos chamados seguro-viagem inclui
apenas assistência médica e hospitalar. Mas também há os que chegam a
oferecer tratamentos odontológicos e os que dão até uma verba para
medicamentos. Fique atento para os tipos de seguro oferecidos pelas
empresas – dependendo da categoria, você poderá ter um teto para o
gasto. Seja qual for a escolha, há uma exclusão de praxe: nenhum plano
de assistência médica temporária cobre problemas de saúde decorrentes
de doenças preexistentes.
2-
Afinal, qual é a melhor maneira de combater o jet lag?
Evitar o mal-estar do jet-lag (causado pela diferença de fusos horários)
é praticamente impossível, sobretudo quando se atravessa mais de quatro
fusos. O pior é no sentido leste-oeste, isto é da Europa para o Brasil.
Uma maneira de amainar os efeitos é, desde o dia da chegada, tentar
seguir o horário da região visitada. Almoce na hora do almoço, mesmo
que para você ainda esteja na hora do café da manhã. A única arma química
eficiente conhecida é a melatonina – um hormônio sintético vendido
sem receita médica, inclusive no exterior. Recorrer a esse remédio, porém,
exige obediência a um ritual de horários. Tomemos por exemplo uma viagem
de São Paulo para Paris, cidades que têm cinco horas de diferença entre
si. Nesse caso, você deve engolir o primeiro comprimido no dia anterior
à viagem e outro no dia do embarque, à mesma hora. Chegando a Paris,
deve tomar um terceiro comprimido uma hora antes dos horários anteriores
– mas pelo fuso brasileiro, ou seja, 23 horas depois. Repita a operação
nos três dias seguintes, sempre antecipando uma hora em cada dia. Pronto:
você conseguiu tirar as cinco horas de diferença. É o caminho mais
curto, embora ainda impreciso, para trazer seu corpo para o país de
visita. A dificuldade para dormir é muita? Aumente a dose de melatonina
exatamente quando cair na cama. O sol também pode ajudar. Meia hora de
sol sobre o rosto no momento de despertar, quando a diferença é de até
cinco horas, e uma hora à tarde, quando o fuso é de seis, também
funcionam como uma “corda” para o seu relógio biológico.
3-
Receitas aviadas no Brasil têm validade lá fora?
Não. E por uma simples razão: o médico brasileiro que assina a prescrição
não é reconhecido como tal no exterior. Remédios que exigem prescrição
médica são aqueles que você pede no balcão de uma farmácia. Já os
medicamentos expostos nas prateleiras (antitérmicos, analgésicos etc.) são
de venda livre. Por isso, cuidado ao aceitar encomenda de remédios! Você
perderá tempo tentando comprá-los. Lembre-se de que os laboratórios são
em geral multinacionais, com regras internacionais de controle.
4-
É verdade que existe um ramo da medicina especializado em atender
turistas?
Sim, chama-se Medicina do Viajante. Ela acompanha a saúde de quem viaja
em três momentos: antes da partida, em trânsito e no retorno. Para
certos destinos, uma consulta a esse especialista pode ser tão importante
quanto ter o passaporte em dia. Deslocamentos continentais podem produzir
efeitos colaterais, como a febre causada por microorganismos que julgávamos
extintos desde a época dos trens a vapor. Os primeiros centros de
medicina de viagem do país estão em atividade no Hospital Emílio Ribas
(11/ 3061-5633, ramais 287 ou 143), em São Paulo, e no centro de Informação
em Saúde para Viajantes (Civest), da Universidade Federal do Rio de
Janeiro (www.cives.ufrj.br).
5-
É verdade que a mudança de água pode provocar diarréia?
O colunista José Simão, sempre hilário, costuma dizer que não assiste
a filmes de países que NÃO têm água potável. Bem, mesmo que você não
pretenda ir ao cinema durante a viagem, não beba água sem algumas precauções.
São elas: tome apenas água engarrafada, se possível, gasosa (mais difícil
de se adulterar e com um pH que as bactérias não gostam); evite escovar
os dentes com água não tratada; use uma pastilha de cloro para
esterilizar a água e não abuse do gelo. Afinal, todos os agentes que
produzem a “diarréia do viajante” são transmitidos por água
contaminada. Esse tipo de desarranjo não é mole: em certos casos,
transforma a sua viagem num roteiro monárquico, passado no trono.
6-
Preciso tomar vacina de febre amarela para ir ao Pantanal?
Sim. Essa infecção viral transmitida por mosquitos está extinta na zona
urbana há cinqüenta anos, mas sua versão silvestre ainda é epidêmica.
Aliás, com alto risco de contaminação para quem faz turismo em áreas
naturais de floresta (regiões Norte e Centro-Oeste do país). Até mesmo
para quem viaja rumo a Manaus, recomenda-se a vacina, já que o passeio
pelos rios amazônicos é programa obrigatório. No continente
sul-americano (Bolívia, Peru e Colômbia), assim como em quase todos os
países africanos, você só vai conseguir entrar se apresentar o
Certificado Internacional de Vacinação. Outras informações? Ligue
Disque Saúde: 1520 (a partir de São Paulo).
7-
Estou grávida. Será que eu posso embarcar em um avião?
Pode, mas há limites. Em grávidas, é proibido injetar vacinas compostas
por vírus vivos, como as do sarampo ou da febre amarela. Conclusão: grávidas
não podem viajar para países que exigem esse tipo de vacinação (a
menos que tenham sido imunizadas antes da gravidez). Nos vôos domésticos,
as companhias aéreas permitem que as grávidas viajem com até 36 semanas
de gestação. Mas, nos internacionais, o limite é de 35 semanas.
Independentemente do tamanho da barriga, os médicos recomendam caminhadas
durante o vôo, a cada duas horas. E beber muito líquido.
8-
Existem doenças que sejam mais comuns entre os viajantes?
Sim. Há uma campeã: a diarréia. Fora de casa, é sempre pior, até
porque o turista precisa de liberdade para curtir o seu roteiro – e o
desarranjo intestinal vai limitar os movimentos. É quando surge o dilema:
deve-se tomar remédios para deter o frenético trânsito intestinal? Use
o bom senso: se der para segurar por conta própria, não tome nada, pois
a diarréia, em geral, é autolimitada. Se a crise estiver inviabilizando
a viagem, tome um remédio capaz de reduzir o fluxo – Imosec, por
exemplo. Agora, o sinal de alerta começa a piscar quando a diarréia
persistir por três dias e vier acompanhada de febre e sangue nas fezes.
Nesse caso, você precisa (urgente!) de cuidados médicos.
9-
Minha namorada quer passar a lua-de-mel em um navio, mas eu sofro de enjôo.
Tenho como contornar a situação?
Há quem jamais mareie – leia-se, passe mal a bordo. Mas também existe
o tipo de marinheiro de primeira viagem que, tão logo o navio deixa o
porto, perde o chão e fica o tempo todo na cabine, vomitando, com a Síndrome
Titanic. Ao noivo da questão, um aviso: enjôo tem cura! Antieméticos
como Dramin e Dramamine, tomados a cada seis horas, inibem o estímulo do
vômito. Agora, se a crise for moderada, basta olhar para um ponto fixo no
horizonte. Parece piada, mas não é. É, isso sim, um santo remédio para
reencontrar o ponto de equilíbrio corporal.
10-
Quais os remédios que devo levar na frasqueira para emergências?
Segundo especialistas de Medicina do Viajante, o kit básico de viagens é
feito de remédios que você já toma (calcule com atenção a quantidade
necessária, pois não vai ser possível comprá-los com receita
brasileira no exterior); antitérmicos (para a febre); antiinflamatórios
(para dores); antieméticos (para enjôos); remédios específicos para
controlar crises de diarréia; pastilhas de cloro (para esterilizar a água)
e preservativos (você sabe pra quê). Se levar medicamentos de faixa
preta, carregue junto um relatório médico, em inglês, justificando-os.
Você poderá ter problemas de pressão, tentando se explicar junto ao
serviço de imigração...
11-
Navios e aviões estão equipados para salvar vidas?
Os navios, com toda a certeza. Por fazerem viagens mais demoradas, os
transatlânticos têm sempre enfermarias completas e médicos de plantão.
No caso de aviões, essa necessidade é bem menor. Mas, tranqüilizem-se,
hipocondríacos: os funcionários de bordo têm curso de primeiros
socorros e, além disso, estatísticas revelam que de 40% a 90% dos vôos
contam com médicos entre os passageiros. Muitas companhias aéreas também
equipam suas aeronaves com desfibriladores, que são aparelhos para
ressuscitação cardíaca. Seja como for, o melhor é evitar sair em
viagem sem fazer uma visita a seu médico.
12-
Dá para evitar os problemas causados pela altitude?
Não. É o chamado mal de viagem inevitável. Subir direto do nível de São
Paulo (700 metros) para altitudes acima de 3.000 metros (La Paz, na Bolívia),
é ter de enfrentar falta de ar, tontura, dor de cabeça – ou você já
se esqueceu a tortura que é para os jogadores de um time de futebol brasileiro
enfrentar um boliviano, no campo adversário? Se há um remédio, ele se
chama “descer” (no exemplo do time nacional, que chegou duas horas
antes da partida, saiba que ele voltou para casa logo após o apito
final). De qualquer maneira, pesquisas científicas começam a testar um
diurético, de uso oftalmológico, que parece melhorar a oxigenação no
sangue em terras altas. Mas são apenas testes.
13-
Os agasalhos bastam para enfrentar lugares frios?
O turista que viaja no inverno para lugares onde neva é o turista menos
acidental que existe. Ele sabe para onde vai e como deve se vestir. Para a
questão não passar absolutamente em branco, vale lembrar que os médicos
costumam recomendar dois itens que podem amenizar os danos causados pelo
frio: nos lábios, o batom de manteiga de cacau que nossas avós usavam;
e, na pele em geral, creme hidratante. Contra acidentes de esqui não há
preventivo. Só aprender a esquiar.
14-
Há como enfrentar sem transtornos as culinárias mexicana, baiana e
indiana?
Cada um sabe de si sobre o que faz mal para o próprio aparelho digestivo.
Alguns têm estômago de avestruz; outros, mais sensíveis, ficam fora da
linha, após ingerir um pouquinho de patê de foie gras. Se quiser
prevenir, siga à risca o sábio lema americano: peel it, cook it, boil it
or forget it! (descasque, cozinha, ferva ou esqueça o alimento!). Ou
seja: evita alimentos crus, sujeitos à contaminação tanto pela água
como pelas mãos do cozinheiro, e abuse dos cozidos e serviços ainda
quentes.
15-
Existe algum repelente que realmente põe para correr um bando de
mosquitos?
Só quem passou uma noite se estapeando para repelir o zumbido insistente
desse bando sabe confirmar o seu poder de arruinar uma viagem – sem
falar na capacidade de transmitir doenças. E não é qualquer repelente
que é capaz de fazê-los bater em retirada. Dica: use aqueles à base de
permetrina (Kwell, por exemplo). Se forem aplicados diretamente nas
roupas, aumentam a proteção. Nas barracas de camping, telas impregnadas
com essa substância também ajudam a manter mosquitos (e outras armas
semelhantes de zumbir e picar) a quilômetros de distância. Já os
produtos que contêm DEET, embora sejam potentes repelentes, não devem
ser passados na pele sob exposição ao sol.
16-
Meus pés incham no avião. O que faço?
Quem tem problemas de circulação sofre dentro do avião em viagens
prolongadas. Não que a altitude tenha a ver com o sistema circulatório.
É que uma viagem aérea normalmente convida à imobilidade numa poltrona
por muitas horas. E essa é a pior posição para quem tem problemas
circulatórios, varizes ou deficiências renais. O líquido acumula nas
pernas e o resultado é o edema. Em casos extremos, pode ocorrer a chamada
trombose venosa, que causa muita dor e exige tratamento médico urgente.
Conselho dos médicos: mesmo em aviões (e a sugestão vale para viagens
terrestres também), procure andar a cada duas horas. Nos grandes jatos,
com dois longos corredores, dá para fazer uma boa caminhada. Para
mulheres grávidas, que ainda suportam sobre as pernas o peso da barriga,
o risco de inchaço é maior. E este conselho é ainda mais útil.
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